Palavras comovem, exemplos arrastam
Dan
Câmara é deputado estadual, presidente da Comissão de Segurança Pública,
Justiça e Defesa Social da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam),
presidente da Comissão de Justiça e Segurança Pública da União Nacional dos
Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale), cofundador da Força Nacional de
Segurança Pública, especialista em Planejamento Estratégico e presidente de
honra do Clube Militar dos Veteranos.
Nesta penúltima
semana de campanha eleitoral, período em que os candidatos intensificam seus
esforços para conquistar novos eleitores, uma tática antiga e eficaz ganha
destaque: o uso da emoção, por meio das palavras, para atrair a atenção do
eleitor.
Há palavras
capazes de emocionar, discursos que despertam esperança e promessas que
arrancam aplausos. Mas chega um momento em que todo discurso precisa enfrentar
o seu maior adversário: a realidade. As palavras podem convencer, mas são os
exemplos que revelam quem realmente somos.
Falar de ética
diante das câmeras é simples. O verdadeiro teste acontece longe delas, quando
fazer o que é correto significa renunciar a vantagens, contrariar um interesse
ou permanecer fiel aos próprios princípios.
Por isso, a
frase "palavras comovem, exemplos arrastam" continua tão atual.
Trata-se de uma
constatação da vida: quem sustenta um discurso que não corresponde às suas
atitudes, cedo ou tarde, será desmentido pela própria realidade. Quem promete
compromisso, mas desaparece diante das dificuldades, transforma sua promessa em
palavra vazia.
No exercício da
função pública, somos observados pelas escolhas que fazemos, pela forma como
enfrentamos as dificuldades, pela maneira como tratamos o interesse público e
pela disposição de preservar nossos princípios, mesmo quando isso nos custa
muito.
Uma pessoa não
precisa repetir diariamente que é honesta quando suas atitudes demonstram
honestidade. Não precisa anunciar compromisso quando sua presença comprova
dedicação. Não precisa falar sobre caráter quando suas escolhas revelam
princípios. Somos observados - e é bom que isso aconteça.
Na Bíblia
Sagrada, o apóstolo Paulo recomenda a Timóteo que se mantenha firme e seja
exemplo de integridade na palavra e no procedimento diário: "Ninguém
despreze a tua mocidade; pelo contrário, torna-te padrão dos fiéis, na palavra,
no procedimento, no amor, na fé, na pureza."
1 Timóteo 4:12.
Ser, como
Timóteo, "padrão dos fiéis" requer o compromisso de viver
honrosamente em todos os aspectos da vida, estabelecendo a presença do Reino de
Deus por onde passamos e lutando contra padrões tenebrosos que muitos passaram
a considerar comuns. A corrupção de valores não acontece de uma hora para
outra. Ela começa justamente quando deixamos de nos incomodar com aquilo que
sabemos estar errado.
Nosso esforço e
nossa oração devem estar voltados para uma transformação que começa nas
pequenas atitudes. Ao cumprirmos a palavra, mesmo diante das dificuldades,
fortalecemos o exemplo de integridade. É assim que os bons exemplos se
multiplicam.
Uma criança
aprende muito mais observando os adultos do que ouvindo seus conselhos. Um
servidor aprende mais com a conduta de seu chefe do que com um discurso sobre
ética. Uma comunidade reconhece mais rapidamente quem realmente está ao seu
lado pela presença constante do que por qualquer promessa feita em um palanque.
No fim, o
comportamento sempre encontra uma maneira de desmentir ou confirmar as
palavras. O tempo é um dos maiores juízes da coerência. Um discurso pode
impressionar, mas o tempo coloca tudo em seu devido lugar. Ele mostra quem
permaneceu, quem cumpriu, quem desistiu e quem apenas falou. E, quando as
palavras já tiverem sido esquecidas, serão as atitudes que permanecerão como
testemunho.